Ai, Portugal, Portugal De que é que tu estás à espera? Tens um pé numa galera E outro no fundo do mar.Ai, Portugal, Portugal Enquanto ficares à espera Ninguém te pode ajudar.Jorge Palma.É uma evidência que Portugal está paralisado. E, como canta Jorge Palma, enquanto ficar à espera ninguém o poderá ajudar. Nem mesmo com os vários mil milhões de euros do PRR que a União Europeia está a enviar. Há que fazer o trabalho de casa e é isso que não tem sido feito desde há muito tempo..António Costa cumprirá oito anos como primeiro-ministro neste 2023 e o resultado desta governação é, além da perda de compra e de uma altíssima carga fiscal, uma profunda degradação dos serviços públicos. Na Saúde há um profundo descontentamento dos profissionais e fecham-se urgências, na Educação desvaloriza-se a classe docente e promove-se o facilitismo, na Justiça ignora-se os oficiais de justiça e prejudica-se o acesso aos tribunais, na Mobilidade os transportes públicos sofrem uma contínua deterioração, na Habitação anunciam-se medidas que não agradam ninguém e que nada resolverão..O Estado não está a cumprir a sua função essencial: garantir um bom funcionamento dos serviços públicos e garantir as necessidades básicas de uma população com 20% de pobres, que aumentaria para 45% sem prestações sociais. Isto significa que quase metade dos portugueses apenas sobrevive. E é esta situação que não é admissível num Estado que pertence à União Europeia em pleno século XXI. Ao fim de 49 anos de democracia e de 37 anos de integração europeia é chocante ter quase metade dos nossos concidadãos a viver na pobreza ou no limiar da pobreza..E o governo não dá sinais de ter um plano para reverter o estado a que chegámos. Não há um grande objectivo, não há um desígnio, não há uma visão de futuro. António Costa tenta gerir o dia a dia, tenta apagar os fogos que vão surgindo, tenta tapar alguns buracos, mas não tem um caminho claro para o país. Talvez pudesse ser um bom primeiro-ministro de um país ultra avançado em que bastaria gerir o que existe, não é um primeiro-ministro para implementar as reformas necessárias que retirem Portugal da estagnação e da pobreza..Mas se a governação falha e não cumpre o seu papel, também não se vislumbra qualquer solução alternativa na oposição. À direita, o PSD não apresenta um rumo nem tem a credibilidade de outrora - e as sondagens provam-no -, a IL falha nas áreas sociais, o CDS desapareceu e o Chega tem respostas populistas e perigosas. À esquerda, o Livre não tem quadros, o BE não traz estabilidade e o PCP vive num mundo próprio em que nem a palavra democracia significa o mesmo que para o comum dos mortais..Portugal vive assim num impasse ao fim de quase meio século após o 25 de Abril. Temos um governo com maioria absoluta que tem agravado a qualidade dos serviços públicos, que não trava o empobrecimento dos portugueses e que não tem um rumo claro e, por outro lado, temos uma oposição que não sabe ser alternativa nem dar uma esperança de real mudança..A solução deveria começar por uma profunda reforma interna dos partidos, por uma mudança dos actores políticos e por novas forças políticas moderadas que saibam ser credíveis e que forneçam novas respostas e um novo desígnio que cative os portugueses. Não é um caminho fácil nem rápido, mas tem de ser iniciado. E todos nós, cidadãos, temos um papel fundamental para não deixar que este estado de coisas se eternize..Presidente do movimento Partido Democrata Europeu O autor escreve de acordo com a antiga ortografia