Ucrânia denuncia restrições ao serviço Starlink que prejudicam operações militares
Um conselheiro do presidente ucraniano revelou que a Space X introduziu restrições ao uso do sistema Starlink na noite de terça para quarta-feira (13 para 14 de outubro), prejudicando missões militares ucranianas no momento em que a Rússia lançava ataques direcionados à infraestrutura energética do país.
"Esta noite, a SpaceX introduziu um limite de velocidade para os terminais Starlink em movimento", disse o consultor em tecnologia Sergiy Beskrestnov no Telegram, falando num limite de 100 milhas por hora (160 km por hora).
"As nossas forças de defesa não foram avisadas sobre esta restrição, o que levou à interrupção de várias missões", acrescentou, alegando que "obviamente, esta ação não pode ser uma coincidência e está ligada à atual situação política".
O presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou um cessar-fogo na área energética, mas Moscovo não está a cumprir, tendo atingido várias infraestruturas durante esta noite. Segundo o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, 600 mil pessoas estão sem eletricidade.
A Ucrânia utiliza o sistema de satélites controlado por Elon Musk, proprietário da SpaceX, para as suas comunicações no campo de batalha, mas o magnata da tecnologia mudou de posição em relação à Ucrânia várias vezes desde a invasão pela Rússia em 2022.
Não é a primeira vez que o sistema tem restrições.
"De acordo com as nossas observações, durante os voos, a ligação podia cair durante 10 a 20 segundos a velocidades de apenas 110 a 120 km/h. Os drones continuavam a mover-se, mas estas interrupções tornavam o seu controlo mais difícil", afirmou o 7.º Corpo de Reação Rápida da Ucrânia, destacado no sudeste do país, num comunicado enviado à Reuters. Uma velocidade ainda mais baixa do que a que o conselheiro de Zelensky falou.
Mas Sergiy Beskrestnov, numa segunda mensagem no Telegram, lembrou que o problema não é apenas nas operações de ataque, mas também de defesa.
"Todos relatam que a restrição da Starlink afetou as missões de longo alcance e a logística na linha da frente, mas há outro problema grave para nós. A Starlink é utilizada naquela que é, atualmente, a solução mais eficaz (intercetores) para defender os nossos céus contra drones Shahed a jato", escreveu.
"Na prática, através destas ações, os nossos parceiros estão a privar-nos de uma das poucas hipóteses que temos de defender o país contra os Shaheds a jato", acrescentou.

