Katy Perry no Rock in Rio Lisboa 2026.
Katy Perry no Rock in Rio Lisboa 2026. Foto: José Sena Goulão

"24% portuguesa". Katy Perry volta a atuar em Portugal e não desilude no Rock in Rio

Cantora americana lembrou a ascendência açoriana no concerto deste sábado, 20 de junho. Cantou sucessos antigos, canções mais recentes e revelou uma música nova a lançar este mês - 'Watch it Burn'.
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Era a cabeça de cartaz do primeiro dia do Rock in Rio Lisboa 2026 e não desiludiu os fãs. A artista norte-americana brindou o público reunido frente ao Palco Mundo no Parque Papa Francisco com sucessos antigos, canções mais recentes, e até revelou uma música nova que será lançada este mês.

Apresentou-se em palco com banda e um grupo de bailarinos, vestida com uma camisa branca com a inscrição I'm not a robot e gravata com as cores da bandeira norte-americana.

Abriu o espetáculo com California Gurls, de 2010, o primeiro single do álbum Teenage Dream, nome também da canção que cantou logo a seguir, com os bailarinos vestidos de wrestlers. Incentiva o público a acompanhá-la e avança para Friday Night, lançada como single em 2011.

Às 23h31 pergunta: "How are my portuguese friends", como estão os meus amigos portugueses? E a família, acrescenta, lembrando que é "24% portuguese", 24% portuguesa, com um trisavô de Ponta Delgada, nos Açores. Recorda que já atuou várias vezes em Portugal, tendo feito três concertos, em 28 de junho de 2009, no Campo Pequeno, durante a digressão do álbum One of the Boys, em 20 de março de 2011 também no Campo Pequeno com o álbum Teenage Dream, e em 30 de junho de 2018, quando foi cabeça de cartaz do Rock in Rio Lisboa pela primeira vez, no Parque da Bela Vista.

Neste espetáculo a mensagem foi desligar do trabalho, ir de férias: "Were all on holidays now, unsubscribe to come alive" (estamos todos de férias agora, cancela a subscrição para ganhares vida). Logo a seguir lança o quarto tema Chained to Rythm, lançado em 2017 como primeiro single do álbum Witness, seguido de Never Really Over, lançado em 2019 e incluído no álbum Smile (2020).

É nesta altura que Katy Perry faz referência a Portugal como país que acolhe cada vez mais cidadãos de outros países: "Everybody wants to move to Portugal", diz a cantora norte-americana, explicando que está atenta às manchetes dos jornais. Cerca de meia hora depois do espetáculo começar, a artista surge de bandeira de Portugal na mão rodeada de bailarinos vestidos de astronautas - Portugal a chegar à lua.

Segue-se a música Dark Horse, de 2013, e é então que Katy Perry agarra definitivamente o público, que se ouve a cantar. Seguem-se os temas E.T. (2011) e Part of Me (2012), levando a multidão ao rubro.

Quase à meia noite a artista conversa com a assistência dizendo que sabe que estão ali pessoas de todo o mundo e por isso quer dar tudo: "Ela toca todos os sucessos, é meio louca", diz dela própria, falando na terceira pessoa. "Não podemos levar isto tudo muito a sério, porque às vezes a vida é um bocado chata, mas nós podemos ter tudo!"

E avança para mais um tema, I'm his, he's mine (feat. Doechii), de 2024, do álbum 143. Segue-se Bon Appétit, de 2017, do álbum Witness. E a seguir tira a camisa para revelar a roupa que diz ter usado no primeiro concerto em Portugal, há 18 anos. Uns calções e top verde brilhante com um laço cor de rosa. "Ainda me serve". Aproveita para dizer que o traje será leiloado com os fundos a reverterem para a Firework, fundação que criou para apoiar crianças e jovens de comunidades desfavorecidas através das artes.

Katy Perry no Rock in Rio Lisboa 2026.
Katy Perry no Rock in Rio Lisboa 2026. Foto: José Sena Goulão

A seguir introduz outro assunto na agenda do concerto, a Inteligência Artificial. "Usa a IA como uma ferramenta, não te tornes ferramenta da IA, Make AI your bitch", diz ao público. Está dado mote para mais uma canção do álbum 143 (2024), Bandaids.

A alinhamento continua com uma canção inédita que será lançada no dia 25 de junho, Watch it Burn. Segue-se Legendary Lovers (2013), The One That Got Away, de 2011 (enganou-se na letra, reconheceu e seguiu em frente).

Passava 19 minutos da meia-noite quando Katy Perry pega na guitarra e toca uma música que pensa ter apresentado há 18 anos, no primeiro concerto em Portugal, Thinking of You.

Com Hot N Cold volta a pôr a assistência aos saltos e de braços no ar e depois dirige-se às "lesbians in Lisbon" antes de cantar I Kissed a Girl, ambas de 2008, do álbum One of the Boys.

E depois pergunta: "You guys want some water"? e entra numa garrafa gigante de água e começa a surfar na multidão. Volta para o palco com o desabafo: "Preciso de umas férias depois disto".

Segue-se Harleys in Hawaii, música escrita em parceria com o artista que atuou no mesmo palco antes dela. "Charlie Puth e eu somos vizinhos e escrevemos esta canção para que se sintam de férias", diz Katy Perry.

Depois canta uma música dedicada à filha, Daisy Dove, chamada All the Love (2024). Até que de repente ouve-se um telefone a tocar. A canção é interrompida, é Daisy a pedir cachorros quentes... Amanhã, diz Katy Perry, retomando o tema.

O concerto prossegue com Lifetimes (2024) e depois a artista pergunta, já perto da uma da manhã: "Are you wide awake?", estão acordados? E começa a cantar a música Wide Awake (2012).

E para despertar os mais cansados avança para Roar (2013), mas numa versão mais lenta. "Quando vesti esta roupa há 18 anos ninguém sabia a viagem que faríamos e que escreveria uma canção chamada Roar", partilhou com o público, dizendo que Roar estava de volta. "Vou cantá-la mais uma vez em Portugal, mas de maneira diferente".

Depois de Roar, Firework (2010), e era quase uma da manhã quando Katy Perry muda de roupa de novo, surge com uma t-shirt e leggings com um desenho de um corpo em biquini, uma toalha de praia ao pescoço e protetor solar no rosto. Uma máquina lança bolas de sabão para o público. "I'll see you next time Lisbon. Now I'm going on vacation, just like you".

No final do concerto, Madalena Martinho, de Lisboa, 28 anos, disse que tinha muito pouca vontade de vir, mas não se arrependeu. "Honestamente, mais de dez anos depois, a voz dela está igual, o espetáculo melhorou, ela tem uma presença gigantesca e acho que se vê pela quantidade de pessoas que ela mexeu aqui. É uma mulher incrível".

Vem com Catarina Miranda que sai do espetáculo com a mesma opinião. "Ouvimos durante muitos anos que a Katy Perry cantava mal ao vivo, Hoje foi a prova de que ela canta muitíssimo bem, interage muito com o público, foi um concerto incrível".

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