"O Sr. Dr. Sidónio Paes caía varado por uma bala no próprio momento em que ia seguir viagem para a capital do norte, onde lhe estava preparada um amistosa recepção, sendo à sua partida muito vitoriado pela multidão que na 'gare' do Rocio se comprimia para assistir". Escreve o DN na capa do domingo 15 de dezembro, manchete de há 101 anos e que transcrevemos com a ortografia do século XX..Tudo aconteceu num ápice, pelas 23.50 de sábado, quando Sidónio País se dirigia para a plataforma para apanhar o comboio. "Dirigiu-se para a porta de ingresso para a 'gare' e, quando a ia transportar, parte do lado direito uma detonação." O então Presidente da República voltou-se para onde tinha vindo o disparo, recuou e ouviram-se mais dois tiros, "cambaleou e caiu redondamente no chão"..Os populares caíram sobre o agressor, "que caiu logo morto com um tiro nas costas". Um segundo suspeito "foi agarrado pelo contínuo da Secretaria de Estado dos Abastecimentos, Sr, Rego, e pelos agentes de investigação Custódio das Dores e Cunha", enquanto os populares o tentavam linchar, "como aconteceu ao criminoso"..Gerou-se o pânico, pessoas a correr por todo o lado, "a polícia desorientada disparou das suas armas", três pessoas caíram mortas e muitas outras ficaram feridas. Uns parágrafos à frente, a reportagem dá conta de "quatro mortos", além de Sidónio Pais e do autor do crime..Sidónio Pais ainda terá chegado vivo ao Hospital de São José, mas "poucos momentos de vida teve"..O DN descreve como tudo aconteceu ao pormenor, nomes e cargos, também não poupa os adjetivos a Sidónio País e a condenação dos atentados. Foi a 15 de dezembro de 1918,